20090128

Oi tchau

Este blog fez cinco anos e foi aposentado. O dono mudou-se para este endereço.

O onipresente saiu.

20080930


O povo é engraçado, não é? Vive reclamando dos políticos. Quando surge uma candidata fresca (no bom sentido) como a Soninha não aproveita a oportunidade de mudar. 

Bora ajudar a enterrar esse câncer que é o Maluf!

(Aderindo à campanha do Gravataí)

(Update: não deu pra ganhar do nefasto, mas a Soninha mostrou muita força e certamente jogou muitas sementes. Tomara que elas germinem. Esterco é o que não falta na política. E no segundo turno, meu candidato é Carlos Drummond de Andrade, com Cora Coralinda como vice.)

20080911

20080904

Vou bem, obrigado.

20080717



A reportagem completa. Por enquanto é só isso, depois "falo" mais. Assistam, está lindo e contém a verdade, que não foi dita no dia do evento pela grande mídia.

Assiste aê, ô:


Também no vídeo: Renata Falzoni, Aylons Hazzud, André Pasqualini, Aninha Neumann, Marcelo Siqueira e o cerumano que vos escreve. Se colocarem o resto posto também porque sou caipira pira pora e vou falar pra todo mundo que apareci na TV, manhê.

20080715

2008 é um bom ano. Sem grana, como sempre. Mas com amigos, pessoas novas por todos os lados, corpo velho em formas novas. Se tudo der certo faço 40 daqui 4 meses. Crise da meia idade. Tem cara que compra carro conversível, moto potente, tudo pra voltar à adolescência. Comprei uma bicicleta e estou pensando em vender o carro. Menos é mais.

Sigo me apaixonando sempre, por tudo e por todos. Mentira: nem tudo, nem todos. Só os que importam.

O blog não acabou, apesar do abandono. As coisas acontecem muito rápido e dedico pouco tempo para escrever tudo. E tem coisa que não quero escrever também. Coisas boas e coisas nem tanto. O fato é que tudo vai mudando, as coisas vão se desacertando e se acomodando pra se desacertar de novo daqui a pouco e o que importa é manter o cérebro funcionando.
Fora da filosofia não há salvação.

20080703


Faça como o Bill e retire o seu certificado.

20080625

Ontem houve a gravação de depoimentos sobre o WNBR (Pedalada Pelada) para o programa da Renata Falzoni. Impressionante a energia e agilidade física e mental dela, fiquei mais fã ainda. Deve ir ao ar dia 16 de julho. Assistam a linda Aninha falando sobre a experiência e desliguem quando eu aparecer. Liguem de novo pra ver meus companheiros falando, inclusive o André, único preso mas não o único pelado da manifestação.
E nesta sexta-feira vá à Bicicletada de junho, cujo tema, não podia deixar de ser, é:

Venha dançar quadrilha na Bicicletada Junina!

Coloque sua roupa caipira e seu chapéu de palha, traga comidas e bebidas típicas e venha se divertir com a gente na Praça do Ciclista. Não tem bicicleta ou não sabe pedalar? Não tem problema, na praça você pode conseguir uma bicicleta emprestada ou simplesmente ficar por lá aproveitando a festa. Traga seus amigos e sua família para dançar a quadrilha com a gente!

A Bicicletada (Critical Mass) acontece em São Paulo sempre na última sexta feira do mês há mais de 5 anos. Acontece também em mais de 400 cidades em todo mundo. Para participar, a única obrigatoriedade é comparecer ao ponto de encontro com um meio de transporte não motorizado. Pode ser Bicicleta, Patins, Skate ou até mesmo com seus próprios pés.

Em caso de chuva o evento está automaticamente CONFIRMADO.
Bicicletada .::. Massa Crítica em São Paulo .::.:. sexta-feira (27/06):. Festa a partir das 18h:. Pedalada 20h00 (pedalamos e voltamos para a festa):.
Praça do Ciclista: Av. Paulista, alt. do 2440, esquina com Consolação (mapa):.
Dicas e referências: http://www.bicicletada.org:.
Comunidade no orkut: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=33384635
Relatos, fotos e vídeos de edições passadas:
http://tinyurl.com/ypsgr2
Sobre a Praça do Ciclista: http://tinyurl.com/2j28sc

P.S: E depois: Curitiba, aí vamos nós!
P.P.S: Curitiba não deu dessa vez, mas vamos na próxima.

20080619

Declaração dos participantes da I Pedalada Pelada de São Paulo


Foto: Gabriel Bitar


Nota: para ver notícias, relatos, fotos e vídeos da WNBR 2008 em São Paulo acesse a página wiki do evento.


Motivações


A I Pedalada Pelada de São Paulo, ou World Naked Bike Ride (WNBR), ocorreu no dia 14 de junho de 2008. Esta foi a primeira edição do evento realizada no Brasil, nos mesmos moldes das ações que acontecem em diversas cidades do mundo com o apoio da população em geral e do poder público.


Nus é como nos sentimos por ter que disputar espaço nas ruas de São Paulo, em meio à violência gerada pelo stress dos motoristas parados em congestionamentos, confinados em máquinas poluentes de vidros escuros. Diariamente essa situação coloca em risco a vida de ciclistas, de pedestres e até de outros motoristas.


Pelados, os ciclistas pretendem chamar a atenção para a exposição indecente à poluição dos carros, para a morte dos espaços públicos tomados por esses veículos e principalmente, para sua fragilidade diante das poderosas máquinas motorizadas, muitas vezes guiadas por pessoas agressivas que não respeitam a bicicleta como o veículo que é, previsto no artigo 96 do Código de Trânsito Brasileiro.


O CTB ainda prevê que, na ausência de local específico para o deslocamento, a bicicleta deve ocupar a faixa da direita da via com preferência sobre os veículos automotores (artigo 58) e obriga os veículos a guardarem uma distância lateral de um metro e meio ao ultrapassarem uma bicicleta (artigo 201).
Mas a maioria dos motoristas desconhece ou simplesmente desrespeita essas regras, e se recusa a compartilhar as ruas com os ciclistas. E isto acontece com a conivência do poder público, que não pune as infrações cometidas por esses motoristas contra nós.


Somos constantemente ignorados, somente nus somos vistos?


A concentração na praça e o assédio da mídia


Na Pedalada Pelada cada ciclista poderia participar vestido (ou não) da maneira como se sentisse mais confortável. O lema era "tão nu quanto você ousar". A nudez nunca foi uma imposição nem uma obrigatoriedade, mas a expectativa gerada durante a semana levou à concentração na Praça do Ciclista um número enorme de curiosos, dezenas de policiais, jornalistas, cinegrafistas e fotógrafos da grande imprensa.


Mais de quatrocentas pessoas estavam lá para pedalar. Os demais queriam ver e registrar a nudez prometida. Especialmente a nudez feminina. Foi Renata Falzoni, ciclista de longa data e avó, quem ousou primeiro e logo na largada da pedalada ficou completamente nua.


Como ela, outras mulheres tiveram que corajosamente suportar o assédio invasivo de muitos "jornalistas", ávidos por erotizar e tornar públicos seus corpos em busca de audiência. As câmeras saltaram sobre elas, acompanhadas muitas vezes por comentários machistas de conotação sexual. Esse comportamento lamentável fez com que muitas deixassem de se despir.


Apesar disso, no meio da confusão, ciclistas pintaram os corpos uns dos outros com tintas coloridas. Frases divertidas ou de protesto, desenhos surgindo na pele, todos se enfeitavam para a pedalada, e para trazer um pouco de alegria para a cidade cinza coberta de asfalto.

Celebração da nudez não sexualizada e não comercializada

Liberdade de expressão e manifestação


Iniciada a pedalada na Avenida Paulista, à medida que os ciclistas se distanciavam da praça foram tomando coragem de expor mais seus corpos. Seguindo o lema naturista, puderam celebrar sua nudez não sexualizada e não comercializada, muito diferente da exposição sexual dos corpos padronizados tão comum nas emissoras de TV e revistas.


Centenas de pessoas puderam expor por alguns instantes seus corpos "imperfeitos", gorduras a mais ou a menos, celulites e estrias livres da ditadura estética vigente que causa distúrbios alimentares, complexos e depressões.
A alegria desse momento foi tão contagiante que provocou aplausos da "platéia". Pessoas que caminhavam pelas ruas, passavam dentro de ônibus ou automóveis, riam, assobiavam, apontavam a massa de pelados que pedalava. Câmeras e mais câmeras de celulares foram apontadas para a avenida.


E a prova máxima de civilidade foi dada pelos próprios ciclistas nus (ou seminus), que abriram mão de assédios e piadas de mau gosto para compartilhar respeitosamente um momento de pura liberdade de expressão e manifestação.


Criminalização da nudez, neutralização da massa e violência policial.


Infelizmente, aprendemos com nossa ação que a nudez que se manifesta livremente a favor da vida é criminalizada, enquanto a nudez explorada, sexualizada e comercializada nos carnavais, novelas e revistas é permitida.


Durante o trajeto, um comandante da polícia militar deixou claro a quem ele pensou ser o organizador da ação, que o nu frontal não seria tolerado, somente corpos pintados como no carnaval. Apesar das dezenas de ciclistas completamente nus, André Pasqualini acabou sendo escolhido como o "bode expiatório" e foi levado nu para a delegacia, como forma de neutralizar nossa ação.


Alguns ciclistas tentaram se manifestar contra a prisão e foram agredidos com pontapés e gás de pimenta, como mostra diversas fotos e vídeos publicados pela grande mídia (
matéria no Estadão) e pela mídia independente. Como sempre é feito em manifestações ciclo ativistas, os ciclistas ergueram suas bicicletas no ar. Foram absurdamente acusados de usá-las como arma.

O comandante da operação declarou diante das câmeras que fez o que estava planejado, prendeu o "líder" da ação para acabar com a manifestação. A lógica estava errada, já que não existem líderes ou organizadores da Pedalada dos Pelados, mas a tática deu certo, porque seja lá quem tivesse sido detido, nós não deixaríamos de apoiá-lo.


Com a prisão de um dos seus participantes, a massa perdeu um pouco em alegria e parte dela seguiu escoltada pela CET rumo ao 78º DP na Rua Estados Unidos. A festa continuou ali, aos gritos de "Ô seu delegado, libera o pelado!".


A massa segue feliz e orgulhosa


Confirmado que o participante preso seria liberado, a massa seguiu de volta a Praça do Ciclista. Cruzou a Oscar Freire e subiu a Rua Augusta em ritmo de festa, feliz e orgulhosa, humanizando o engarrafamento de quem descia num coro bem-humorado de "Não fique aí parado! Vem pedalar pelado!" ou "Carro parado é coisa do passado! A moda agora é pedalar pelado!".


A população nas ruas de São Paulo saudou a massa em festa durante todo o trajeto. A cidade, a Avenida Paulista, já acostumadas com a gigantesca parada do Orgulho GLBT, sentiram a alegria de ver o desfile das bicicletas e seus ciclistas nus e seminus, a despeito das leis antiquadas que (ainda) vigoram nesse país.


Mas podem se preparar, a festa será ainda maior em 2009.


Assinado,


Participantes da I Pedalada Pelada de São Paulo 2008


(World Naked Bike Ride São Paulo 2008)

20080615

Ontem (14/06/2008) aconteceu a primeira edição no Brasil da WNBR (Word Naked Bike Ride). Passeio pelado de bicicleta. Foi na Avenida Paulista, em São Paulo. Agora que participo do movimento da Bicicletada (não confundir os dois movimentos, por favor) não poderia deixar de ir. Afinal quem sabe faz a hora, não espera acontecer. Levei meu filho até. História pra contar pros netos ele vai ter à beça.

Quantas chances de ficar pelado no meio da Avenida Paulista uma pessoa vai ter nesta vida? Pois é, perdi a minha (primeira) chance. Tive coragem não. Mas é do jogo, afinal o mote é ficar tão pelado quanto você ousar. Fiquei de sunga. Nas costas pedi para a Luciana, que vai me perdoar se esse não for o nome correto, desenhar e escrever isso:


Faltou um sinal de igual aí, mas tá valendo. Quase fui preso porque outdoor tá proibido por aqui. Obviamente não sou a máquina perfeita. Máquina perfeita é uma pessoa mais uma bicicleta. Um motor com cérebro, quer perfeição maior que essa? A emissão de gases depende exclusivamente do consumo de repolho, feijão etc.

O movimento teve a intenção de chamar a atenção para a situação dos ciclistas. Nos sentimos nus no trânsito onde pessoas protegidas por toneladas de metal nos hostilizam porque eventualmente as fazemos perder alguns segundos, perfeitamente recuperados com outros segundos de aceleração, nem precisa ultrapassar o limite de velocidade. Ah, vai ver que essa animosidade vem do fato de que eles não vão recuperar esses segundos, o trânsito tá parado mesmo... Mas a bicicleta passa. E tome agressividade contra os ciclistas folgados. Tanto carro com adesivo de tercinho e não aprenderam a amar ao próximo como a si mesmo. Ok, existem maus ciclistas. Felizmente não existem maus motoristas.

Por que tirar a roupa? Essa gente é doida? Tinha jeito melhor de fazer isso não? Bom, há anos acontece a bicicletada em toda última sexta-feira do mês em São Paulo, na mesma Avenida Paulista. Hoje em dia centenas de ciclistas de todas as idades participam até debaixo de frio e chuva, número que aumenta cada vez mais. Você já ouviu falar? Presumo que meus leitores (poucos e fiéis, o google analytics me avisou) sejam bons entendedores.

Foi muito bom ver a reação das pessoas. Elas olhavam incrédulas. Ouvi mais de uma vez um "nossa, ISSO é São Paulo". Um motoboy explicava o motivo do atraso de seu serviço e começou a gritar quando percebeu que "CARA, ELES TÃO TUDO PELADO!!!". Um transeunte de aparência simples, que provavelmente não sabe o significado da palavra "transeunte", estava de boca aberta, petrificado, chocado, maravilhado. Momentos mágicos.

Aí tem a mídia, sedenta por notícias e por bundinhas de fora. Passei por uma repórter da Globo que estava a pé entre os ciclistas, toda bonitona, até brinquei com ela, algo como "elas podem até ser feias, mas não tem bunda mole aqui não!". Ela viu que muita gente tirou a roupa. Ela viu que haviam mais de trezentas, quatrocentas, quinhentas pessoas. A matéria do Jornal Nacional abre com um "Cem ciclistas na Paulista". As tevês e veículos online reproduziram a versão covardemente mentirosa da polícia de que o único ciclista nu de toda a manifestação foi preso.

Tem também a polícia. Gentil polícia militar. No começo até que estavam calminhos, até que prenderam um dos ciclistas manifestantes, com direito a gás de pimenta e tudo o mais. Tive que cair fora com meu filho para protegê-lo. Fiquem tranquilos, nem assustado ele ficou. Pelo contrário, adorou tudo.

O ciclista preso é o André Pasqualini. Ele é quem pode explicar melhor tudo o que houve. Então, por favor, leiam a versão dele.


Dia 27 de junho, na bicicletada junina, vejo você lá?

Update: no mesmo dia aconteceu uma peladada em Portland. Comparem com a nossa.